Pureza da Soda Cáustica: Qual o Grau Ideal para Aplicações Químicas Críticas? 02/04/2025

Entenda como escolher a pureza correta da soda cáustica conforme o nível de exigência do seu processo e evite falhas em reações, perdas financeiras e problemas regulatórios.

A soda cáustica, também conhecida como hidróxido de sódio (NaOH), é uma substância altamente alcalina e de grande importância para diversos processos industriais e laboratoriais. Seu uso é comum em setores como químico, farmacêutico, alimentício, papel e celulose, além de tratamento de água e efluentes. Comercialmente, pode ser encontrada em diferentes formas, como líquida, escama ou perolada, e com níveis variados de pureza.

A pureza da soda cáustica é um fator determinante para a eficácia e segurança das aplicações onde é utilizada. Em processos químicos críticos, mesmo pequenas impurezas podem comprometer reações, afetar a qualidade do produto final e até causar prejuízos econômicos e operacionais. Por isso, é essencial conhecer os tipos de pureza disponíveis e identificar qual é o mais adequado para cada finalidade.

Este conteúdo tem como objetivo esclarecer qual a pureza ideal da soda cáustica para aplicações que exigem alto rigor técnico. Ao longo do texto, serão abordados os diferentes graus de pureza disponíveis no mercado, suas indicações de uso e os cuidados necessários para garantir o melhor desempenho em processos industriais e laboratoriais.

 

O Que é a Soda Cáustica e Suas Formas Comerciais

A soda cáustica é o nome popular do hidróxido de sódio (NaOH), uma substância química altamente alcalina, solúvel em água e amplamente utilizada em diversos processos industriais. Trata-se de um composto inorgânico que, ao entrar em contato com água ou umidade, libera calor e forma uma solução fortemente corrosiva. Justamente por essa característica, a soda cáustica é considerada uma base forte e desempenha funções essenciais em reações químicas, limpeza, neutralização de ácidos e fabricação de produtos.

Na indústria, a soda cáustica é comercializada em diferentes formas, cada uma com concentrações e características próprias que determinam sua aplicação ideal. As principais formas disponíveis no mercado são: soda cáustica líquida, soda cáustica perolada e soda cáustica em escamas.

 

Formas Comerciais da Soda Cáustica

Abaixo, uma tabela comparativa com as principais características das formas comerciais da soda cáustica:

 

Forma Comercial Estado Físico Concentração Comum Uso Principal
Líquida Solução aquosa 30–50% Indústrias em geral, tratamento de água e efluentes
Perolada Sólido (grânulos) Aproximadamente 99% Indústria química fina e farmacêutica
Escama Sólido (laminado) 98–99% Limpeza pesada, petróleo, produção industrial

 

Soda cáustica líquida

A forma líquida é amplamente usada em grandes volumes, principalmente em processos contínuos industriais. Sua concentração geralmente varia entre 30% a 50%, dependendo da aplicação. É bastante utilizada em estações de tratamento de água, fábricas de papel e na produção de sabões.

Soda cáustica perolada

A forma perolada se apresenta como pequenos grânulos esbranquiçados e é conhecida por sua alta pureza, com teor de NaOH próximo de 99%. Essa característica faz com que seja a escolha ideal para aplicações químicas críticas, como na indústria farmacêutica, cosmética, alimentícia e em laboratórios, onde a presença de impurezas pode comprometer a qualidade dos processos.

Soda cáustica em escamas

Também sólida, a forma em escamas é visualmente semelhante a pequenos flocos. Sua pureza varia entre 98% e 99%, sendo utilizada em limpeza industrial pesada, refinarias de petróleo e outros setores que requerem forte poder de ação corrosiva e alto desempenho em remoção de resíduos.

Cada forma da soda cáustica atende a uma necessidade específica. A escolha adequada deve considerar o tipo de aplicação, o grau de pureza necessário e as exigências técnicas e de segurança do processo envolvido. Em aplicações químicas críticas, a forma e a pureza do produto têm impacto direto nos resultados esperados.

 

Níveis de Pureza da Soda Cáustica

A soda cáustica está disponível no mercado com diferentes níveis de pureza, definidos de acordo com o grau de exigência da aplicação. A escolha correta do grau de pureza é fundamental para garantir a segurança, a eficiência dos processos e a qualidade dos produtos finais. Cada tipo atende a uma finalidade específica, variando conforme a presença de impurezas e o rigor dos padrões de controle.

Os três principais tipos de pureza da soda cáustica são:

  • Grau industrial

  • Grau técnico

  • Grau reagente (analítico ou PA – puro para análise)

Grau Industrial

A soda cáustica grau industrial possui uma pureza entre 96% e 98%. É a versão mais utilizada em aplicações menos sensíveis, onde a presença de impurezas como cloretos e carbonatos não compromete os resultados. Essa categoria é bastante aplicada em:

  • Limpeza pesada de superfícies metálicas e equipamentos

  • Fabricação de desentupidores e detergentes industriais

  • Tratamento de efluentes e neutralização de ácidos

Grau Técnico

Com pureza entre 98% e 99%, a soda cáustica grau técnico apresenta menor concentração de contaminantes em comparação ao grau industrial. No entanto, ainda pode conter traços de sais, metais ou outros elementos químicos que não afetam processos industriais comuns. É ideal para:

  • Produção de produtos químicos intermediários

  • Processos de fabricação que exigem um padrão maior de controle

  • Indústrias de papel, têxtil, couro e alumínio

Grau Reagente (Analítico ou PA – Puro para Análise)

O grau reagente, também chamado de PA (Puro para Análise), tem pureza igual ou superior a 99,5% e é praticamente isento de impurezas. Esse tipo é utilizado em aplicações que exigem máxima precisão e controle, como:

  • Laboratórios de pesquisa e análises químicas

  • Indústria farmacêutica e cosmética

  • Fabricação de produtos eletrônicos e semicondutores

Compreender os níveis de pureza da soda cáustica é essencial para tomar decisões técnicas adequadas. O uso incorreto de um grau de pureza pode causar falhas em reações químicas, contaminação de produtos e até problemas regulatórios, especialmente em setores sensíveis como o farmacêutico e o eletrônico.

 

Por Que a Pureza da Soda Cáustica é Crítica em Algumas Aplicações

Em muitos setores industriais e laboratoriais, a pureza da soda cáustica é um fator determinante para a segurança e eficácia dos processos. Em aplicações químicas críticas, qualquer traço de impureza pode comprometer totalmente os resultados esperados. Por isso, a escolha do grau de pureza adequado vai muito além de uma simples preferência — é uma exigência técnica que garante qualidade, conformidade e confiabilidade.

1. Reações químicas sensíveis a contaminantes

Em reações químicas controladas, especialmente nas indústrias farmacêutica, alimentícia e eletrônica, a presença de impurezas como cloretos, carbonatos ou metais pesados pode interferir diretamente no rendimento da reação, alterar propriedades do produto final ou até mesmo gerar subprodutos indesejados. Essas falhas podem inviabilizar lotes inteiros e comprometer a integridade do processo.

Por exemplo:

  • Na produção de medicamentos, contaminantes podem causar reações paralelas, afetando a eficácia ou a estabilidade do fármaco.

  • Em sínteses químicas orgânicas, impurezas reagem com os reagentes principais, prejudicando a selevidade e pureza do composto final.

2. Riscos de reações indesejadas em processos industriais

Quando a soda cáustica contém contaminantes, há risco de reações secundárias inesperadas, que podem gerar calor excessivo, formação de gases perigosos ou compostos tóxicos. Isso é especialmente perigoso em indústrias que trabalham com grandes volumes ou com materiais altamente reativos.

Além do impacto na segurança, as impurezas também causam o desgaste prematuro de equipamentos, corrosão acelerada de superfícies metálicas e entupimento de sistemas, resultando em paradas não planejadas, custos extras de manutenção e redução da produtividade.

3. Exigência de normas técnicas e regulamentações

A pureza da soda cáustica também está diretamente ligada ao cumprimento de normas técnicas e regulamentações nacionais e internacionais. Órgãos como:

  • ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

  • FDA (Food and Drug Administration)

  • ASTM (American Society for Testing and Materials)

estabelecem padrões rigorosos sobre os insumos utilizados na produção de medicamentos, cosméticos, alimentos e dispositivos médicos. Nesses contextos, a soda cáustica grau PA (puro para análise) ou grau alimentício é obrigatória.

O não cumprimento dessas exigências pode resultar em:

  • Reprovação de lotes em auditorias e inspeções

  • Multas regulatórias

  • Danos à imagem e reputação da empresa

4. Exemplos práticos de falhas causadas por baixa pureza

  • Indústria farmacêutica: o uso de soda cáustica grau técnico ao invés de grau PA resultou na contaminação cruzada em medicamentos injetáveis, levando à reprovação do lote.

  • Fabricação de semicondutores: impurezas metálicas em soda cáustica causaram curto-circuito em chips de alta sensibilidade, afetando o desempenho e reduzindo a vida útil dos componentes.

  • Produção de cosméticos: presença de carbonatos elevou o pH de cremes e loções além do tolerável, tornando o produto impróprio para uso dermatológico.

Em suma, a pureza da soda cáustica não é apenas uma especificação técnica — é um fator crítico para garantir segurança, desempenho e conformidade legal. Identificar corretamente o grau necessário para cada aplicação é fundamental para evitar falhas, prejuízos e compromissos com a qualidade.

 

Aplicações Químicas Críticas e a Pureza Ideal Exigida

A escolha do grau de pureza da soda cáustica é especialmente importante em setores que exigem controle rigoroso de qualidade, ausência de contaminantes e padronização dos processos. Em aplicações químicas críticas, o uso de uma soda cáustica inadequada pode comprometer a segurança, a eficácia e a conformidade legal de produtos e processos.

 

1. Indústria Farmacêutica

A indústria farmacêutica trabalha com padrões extremamente elevados de qualidade e controle sanitário. Por isso, a soda cáustica utilizada nesse setor deve ser de grau PA (puro para análise) ou superior. Essa exigência garante a ausência de contaminantes metálicos, cloretos, carbonatos ou resíduos orgânicos, que poderiam interferir nas formulações ou comprometer a estabilidade de medicamentos.

Além disso, o uso de soda cáustica de alta pureza é fundamental para a limpeza de equipamentos, sistemas de água purificada e reações químicas sensíveis, conforme exigido por órgãos reguladores como a ANVISA e o FDA.

2. Indústria Eletrônica

A fabricação de componentes eletrônicos, como circuitos integrados, chips e placas de circuito impresso, exige soda cáustica com altíssimo grau de pureza. Isso porque impurezas mínimas, como traços de metais ou sais, podem causar curto-circuitos, falhas de condutividade ou redução na vida útil dos dispositivos.

Nesse setor, a soda cáustica é empregada principalmente em processos de limpeza química e decapagem de superfícies metálicas e semicondutores. Por isso, a escolha do grau reagente ou até ultrapuro é indispensável para garantir desempenho e confiabilidade.

3. Indústria de Alimentos

Na indústria alimentícia, o uso da soda cáustica está presente em atividades como:

  • Limpeza de tubulações e equipamentos (CIP)

  • Processamento de alimentos (ex.: azeitonas, chocolate)

  • Controle de pH e neutralizações

Por lidar diretamente com produtos destinados ao consumo humano, essa aplicação exige soda cáustica grau alimentício ou grau PA, ambos livres de contaminantes prejudiciais à saúde. Além disso, o uso é rigorosamente regulamentado por órgãos como o MAPA e a ANVISA, que definem limites e padrões de pureza para garantir a segurança dos consumidores.

4. Laboratórios de Pesquisa

Laboratórios que realizam análises químicas, testes de controle de qualidade ou desenvolvimento de novas formulações utilizam a soda cáustica grau reagente (PA) em seus procedimentos. Isso se deve à necessidade de resultados precisos e reproduzíveis, o que só é possível com reagentes livres de qualquer tipo de impureza.

Além disso, a soda cáustica é empregada em titulações, preparação de soluções padrão, controle de pH e diversas reações experimentais que exigem máximo controle de variáveis.

5. Indústria Química Fina

A indústria química fina é responsável pela produção de compostos de alto valor agregado, como catalisadores, aditivos, princípios ativos e ingredientes especiais. Em muitos desses processos, a soda cáustica participa de reações com substâncias altamente reativas e sensíveis.

Por esse motivo, essa aplicação requer soda cáustica com pureza igual ou superior a 99,5%, geralmente nas formas perolada ou grau PA, para evitar a presença de substâncias que possam interferir no equilíbrio das reações ou danificar catalisadores.

Cada setor apresenta demandas específicas quanto à qualidade da soda cáustica, e entender essas exigências é essencial para garantir que o produto final atenda às normas técnicas e aos padrões de desempenho. Em aplicações críticas, investir na pureza certa da soda cáustica é uma medida de prevenção, confiabilidade e qualidade.

 

Critérios para Selecionar a Soda Cáustica Certa para Sua Aplicação

Escolher a soda cáustica adequada para um determinado processo químico vai muito além do preço ou da forma física do produto. A decisão deve levar em conta fatores técnicos, regulatórios e operacionais que assegurem o desempenho ideal, a segurança do processo e a conformidade com normas de qualidade.

 

1. Avaliação do grau de exigência da aplicação

O primeiro passo é compreender o nível de exigência técnica do processo onde a soda cáustica será utilizada. Aplicações industriais menos rigorosas, como desentupimento ou limpeza de superfícies, geralmente permitem o uso de soda cáustica grau industrial.

Por outro lado, setores como farmacêutico, alimentício, laboratorial e eletrônico requerem soda cáustica de alta pureza, como os graus técnico, reagente (PA) ou alimentício, a fim de evitar a presença de contaminantes que possam comprometer a reação, o produto final ou a saúde do consumidor.

2. Verificação de certificações de qualidade

Outro ponto crucial na escolha da soda cáustica ideal é confirmar se o produto conta com certificações reconhecidas que comprovem sua qualidade e rastreabilidade. Entre as principais certificações estão:

  • ISO 9001: Gestão da qualidade

  • ISO 14001: Gestão ambiental

  • GMP (Good Manufacturing Practices): Boas práticas de fabricação, especialmente exigidas na indústria farmacêutica e alimentícia

  • REACH: Regulamento europeu que assegura a segurança química de substâncias na União Europeia

Essas certificações garantem que a soda cáustica foi produzida sob processos padronizados, com controle de qualidade rigoroso e rastreabilidade dos lotes.

3. Origem e reputação do fornecedor

A procedência da soda cáustica é um fator que impacta diretamente sua confiabilidade. Fornecedores com boa reputação no mercado, histórico de atendimento técnico, suporte pós-venda e experiência em processos químicos específicos são mais indicados.

Além disso, é fundamental verificar se o fornecedor possui infraestrutura adequada para armazenamento e transporte da soda cáustica com segurança, evitando contaminações e degradações do produto.

Dica prática: prefira fornecedores que ofereçam lote rastreável, suporte técnico e disponibilidade de documentação oficial.

4. Especificação da ficha técnica e Boletim de Análise (BoA)

Antes de adquirir a soda cáustica, é essencial analisar dois documentos-chave:

  • Ficha Técnica: descreve as características físico-químicas do produto, como forma, concentração, pH, solubilidade, ponto de fusão e recomendações de uso.

  • Boletim de Análise (BoA): documento que apresenta os resultados laboratoriais do lote específico, incluindo o grau de pureza, níveis de impurezas e conformidade com normas técnicas.

Esses documentos ajudam a verificar se o produto está dentro dos parâmetros necessários para a aplicação específica, e são indispensáveis para garantir conformidade com auditorias e exigências regulatórias, principalmente em setores como farmacêutico, cosmético e alimentício.

Selecionar corretamente a soda cáustica para cada tipo de processo químico é uma decisão estratégica que influencia a eficiência, segurança e regularidade da operação. A combinação entre grau de pureza adequado, fornecedor confiável, certificações válidas e documentação técnica atualizada garante um uso seguro e eficaz da substância em qualquer aplicação.

 

Boas Práticas no Armazenamento e Manuseio da Soda Cáustica Pura

A soda cáustica pura, devido à sua alta reatividade e caráter higroscópico (absorção de umidade do ar), exige cuidados específicos no armazenamento e manuseio. Esses cuidados são essenciais para manter a pureza do produto, garantir a segurança dos operadores e evitar acidentes ou reações indesejadas durante o uso.

 

1. Evitar contaminação por umidade ou CO? do ar

A soda cáustica tem alta afinidade com a umidade e o dióxido de carbono (CO?) presentes no ambiente. Quando exposta ao ar, ela absorve rapidamente a umidade, formando uma solução líquida que reduz sua pureza. Além disso, o CO? reage com o hidróxido de sódio, formando carbonato de sódio (Na?CO?), um contaminante indesejado em processos químicos sensíveis.

Para evitar isso:

  • Mantenha a embalagem sempre bem fechada após o uso.

  • Minimize o tempo de exposição ao ar ambiente durante o manuseio.

  • Utilize o produto preferencialmente em ambientes com controle de umidade.

2. Armazenamento em recipientes próprios

A soda cáustica pura deve ser armazenada em embalagens resistentes à corrosão e compatíveis com substâncias altamente alcalinas. Materiais inadequados podem se degradar ou contaminar o conteúdo. Os recipientes mais recomendados são:

  • Polietileno de alta densidade (PEAD)

  • Polipropileno (PP)

  • Aço inoxidável com revestimento apropriado (em casos industriais)

Além disso:

  • Armazene a soda cáustica em local seco, ventilado e protegido da luz solar direta.

  • Evite armazenar próximo a ácidos, materiais inflamáveis ou oxidantes, pois o contato com essas substâncias pode gerar reações perigosas.

  • Mantenha os recipientes identificados com rótulo visível e legível, com informações como: “SODA CÁUSTICA – PRODUTO CORROSIVO”.

3. Regras de segurança e EPIs adequados

O manuseio da soda cáustica requer rigorosos cuidados de segurança, uma vez que o produto pode causar queimaduras graves na pele e nos olhos, além de danos ao trato respiratório, se inalado. Para isso, é fundamental o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados:

  • Luvas de borracha nitrílica ou neoprene (nunca látex simples)

  • Óculos de segurança com proteção lateral ou viseira facial

  • Avental de PVC ou capa de proteção química

  • Máscara com filtro para vapores alcalinos (em ambientes com pouca ventilação)

Também é recomendável:

  • Treinar os colaboradores para lidar com emergências envolvendo soda cáustica, incluindo lavagem imediata em caso de contato com pele ou olhos.

  • Manter chuveiros de segurança e lava-olhos próximos à área de manuseio.

  • Utilizar ferramentas e utensílios resistentes à corrosão.

O correto armazenamento e manuseio da soda cáustica pura preserva a qualidade do produto e garante a segurança dos profissionais envolvidos nos processos. Ao seguir essas boas práticas, é possível evitar perdas por contaminação, minimizar riscos de acidentes e manter o produto em condições ideais para aplicações químicas críticas.

 

Impactos da Escolha Incorreta da Pureza da Soda Cáustica

Selecionar o grau de pureza da soda cáustica de forma inadequada pode gerar uma série de consequências negativas em processos químicos, industriais e laboratoriais. Em ambientes que exigem precisão, controle de qualidade e segurança, utilizar uma soda cáustica fora do padrão adequado compromete não apenas o desempenho da operação, mas também os resultados finais, o orçamento e até mesmo a conformidade com normas regulatórias.

 

1. Riscos para o processo e produto final

A presença de impurezas na soda cáustica, como carbonatos, cloretos, metais pesados ou matéria orgânica, pode alterar significativamente o comportamento químico em reações controladas. Quando o grau de pureza não é compatível com a aplicação, há riscos reais de:

  • Reações indesejadas ou incompletas

  • Contaminação do produto final

  • Interferência em catalisadores e reagentes

  • Falhas na consistência do processo

Na indústria farmacêutica, por exemplo, a utilização de uma soda cáustica de menor pureza pode resultar na inviabilidade de lotes inteiros de medicamentos. Já em laboratórios, qualquer contaminação mínima pode invalidar análises, ensaios ou testes críticos.

2. Prejuízos financeiros e perda de lotes

O uso incorreto da soda cáustica pode causar prejuízos diretos à produção. Entre os impactos financeiros mais comuns, destacam-se:

  • Descarte de produtos contaminados ou fora de especificação

  • Retrabalho em etapas da produção

  • Paradas não planejadas para manutenção corretiva

  • Substituição de equipamentos danificados por reações adversas

Esses custos acumulados comprometem a rentabilidade da operação, impactam o cronograma de entrega e podem até gerar ruptura de contratos com clientes, especialmente em setores com alta exigência de qualidade.

3. Problemas regulatórios e legais

Em segmentos como o alimentício, farmacêutico, cosmético e químico fino, existem regras rígidas de controle de qualidade determinadas por órgãos reguladores como:

  • ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

  • MAPA (Ministério da Agricultura)

  • FDA (Food and Drug Administration)

  • ISO e normas técnicas internacionais

A escolha incorreta do grau de pureza da soda cáustica pode levar à não conformidade com essas exigências, resultando em:

  • Multas e penalidades

  • Apreensão de produtos

  • Suspensão de registros sanitários

  • Perda de certificações e credibilidade da empresa

Além disso, em casos de produtos voltados ao consumo humano, a contaminação por impurezas pode gerar riscos à saúde pública, aumentando a exposição da empresa a ações legais, indenizações e danos à reputação.

Portanto, entender e respeitar o nível de pureza ideal da soda cáustica para cada aplicação não é apenas uma medida técnica, mas uma estratégia essencial de segurança, economia e conformidade. A escolha errada pode gerar consequências que vão muito além de falhas operacionais, impactando a qualidade, a sustentabilidade do negócio e a imagem da marca no mercado.

 

Tabela Informativa: Pureza da Soda Cáustica por Aplicação e Requisitos Técnicos

 

Setor de Aplicação Grau de Pureza Recomendado Faixa de Pureza (%) Exigências Técnicas Riscos da Pureza Inadequada
Indústria Farmacêutica Grau PA (Puro para Análise) ≥99,5% Ausência total de contaminantes. Conformidade com ANVISA e GMP. Contaminação de medicamentos, rejeição de lotes.
Indústria Eletrônica Grau Ultrapuro ou PA ≥99,5% Alta pureza para evitar falhas em componentes sensíveis. Curto-circuito, falha em chips e circuitos integrados.
Indústria de Alimentos Grau Alimentício ou PA 98% a ≥99,5% Controle de resíduos e metais pesados. Normas ANVISA/MAPA. Produto impróprio para consumo, autuações sanitárias.
Laboratórios de Pesquisa Grau Reagente (PA) ≥99,5% Reprodutibilidade e precisão de análises. Resultados inválidos, prejuízo em ensaios e pesquisas.
Indústria Química Fina Grau PA ou Técnico Alto Padrão ≥99,5% Compatibilidade com catalisadores e reações sensíveis. Formação de subprodutos, perdas em síntese química.
Indústria Geral/Industrial Grau Técnico ou Industrial 96% a 99% Utilização em processos menos críticos. Eficiência reduzida, acúmulo de impurezas no processo.

 

Considerações Finais

A escolha do grau de pureza da soda cáustica não deve ser tratada como um detalhe técnico secundário, mas sim como um fator decisivo para o sucesso de qualquer processo químico, industrial ou laboratorial. Cada aplicação exige um padrão específico, e utilizar um produto com pureza incompatível pode resultar em prejuízos operacionais, financeiros e regulatórios.

Para garantir segurança, desempenho e conformidade, é fundamental que a soda cáustica escolhida esteja de acordo com o nível de exigência do processo. Em aplicações químicas críticas — como nas indústrias farmacêutica, alimentícia, eletrônica, de cosméticos ou laboratórios de pesquisa — a recomendação é clara: sempre optar pelo grau mais puro disponível, como o grau reagente (PA) ou equivalente.

Além disso, o investimento em um fornecedor confiável, com certificações válidas e documentação técnica completa, é essencial para assegurar a rastreabilidade e a qualidade do produto adquirido. O acompanhamento por meio de fichas técnicas e boletins de análise (BoA) permite validar a conformidade de cada lote, reduzindo os riscos de falhas e garantindo o controle total sobre os insumos utilizados.

Em resumo, a pureza adequada da soda cáustica contribui diretamente para:

  • Eficiência dos processos químicos

  • Integridade dos produtos finais

  • Segurança das operações

  • Atendimento às normas e legislações vigentes

Seguir essas diretrizes é o caminho mais seguro para obter resultados consistentes, minimizar riscos e manter a competitividade no mercado.


Perguntas mais comuns - Pureza da Soda Cáustica: Qual o Grau Ideal para Aplicações Químicas Críticas?


O grau de pureza da soda cáustica refere-se à concentração de hidróxido de sódio (NaOH) no produto e à quantidade de impurezas presentes. Quanto maior a pureza, mais adequada ela é para aplicações químicas críticas que exigem precisão e controle.

Não é recomendado. A soda cáustica industrial contém impurezas que podem interferir em análises e reações químicas. Para laboratórios, o ideal é o grau reagente (PA), que oferece pureza superior a 99,5%.

Verifique a ficha técnica e o Boletim de Análise (BoA) do produto. Esses documentos mostram o grau de pureza, impurezas presentes e conformidade com normas. Além disso, consulte os requisitos específicos da sua aplicação.

Sim. Impurezas podem causar reações indesejadas, gerar calor excessivo ou formar compostos perigosos. A escolha do grau correto de pureza evita acidentes e garante a segurança dos operadores e do ambiente.

Avanzi Química

Escrito por:

Avanzi Química


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